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28 de abr. de 2010

Acontece

Eu odeio o metrô.

Acho tedioso e apertado e tudo aquilo que todo mundo já sabe.

Sabe talento natural? Eu tenho talento natural para ouvir conversa alheia. É quase como um hábito. Depois de muito trabalho e esforço, consigo bloquear algumas vozes da minha mente (por sentir que a pessoa não gosta de ser ouvida), mas em metrô a gente não sente nada além de calor e aperto, então, eu ouço e presto muita (muita!) atenção em conversa alheia.

Aí, terça passada, estava eu passando pela Bresser quando entrou uma redondinha no metro batendo papo com outra moça (redondinha mesmo, tipo, era uma gordinha muito redondinha). Depois de reparar como ela soube aproveitar o espaço disponível, comecei a praticar meu talento natural. E o assunto estava tão interessante que o tempo foi passando rápido, mas me ajeitei pra descer na próxima estação na frente da porta. Quando a porta fecha, eu olho pra plaquinha vermelha (laranja, pros meus olhos) e aquela era o Tatuapé.

(cara de um c* dentro do outro - como diria a Amanda outra)

Pra quem não costuma pegar metrô, a sequência é Bresser, Belém, Tatuapé, Carrão. Eu desço no Tatuapé. Pois acho que a gordinha deve ter comido o Belém, porque eu juro que eu não vi ele passar. Deus podia ter me dado o talento da desinibição, pois bem, me deu o de ouvir conversa alheia.

Aí desci no Carrão, dei uma pirueta e peguei o metrô de volta do outro lado.

Lá lá lá, ninguem viu, ninguém viu...

26 de abr. de 2010

Frustração

Ou eu mato a timidez ou a timidez me mata.

16 de abr. de 2010

Good times

Se tem uma época que sinto falta, é do Camargo.
Não vou dizer que é da adolescência ou dos 14 aos 16 anos, mas sim, do Camargo.
Vinda de uma escola particular pequena, fiquei meio maravilhada quando entrei na escola de muitas salas e corredores, salas ambientes, professores despreocupados, longe do que eu gostaria em relação aos estudos e mais do que eu imaginava. Vai, quando entrei eu não tinha muito noção de como seria. Não sabia direito o que esperar.

Mas quando penso (e eu penso muito, porque eu penso muito sobre tudo), sinto saudade do chão frio da arquibancada à deliciosa esfiha quentinha de calabreza da cantina. Daquelas carteiras pequenas grandes, daquelas lousas brancas, daquelas pessoas que tinham a vida inteira nas mãos. Sinto saudades da Tânia ao Kazuwo. Saudades dos que amei e também dos que odiei. Dos assuntos, daquela tarde que ficamos assistindo as torres gêmeas do auditório.

Dos banhos de chuva nas aulas de educação física, do livro verde de português, das maçãs que eu ganhava da Débora. Da menina de pintinhas, da nossa peça de teatro, da montanha russa que tentamos fazer pra aula da professora Sibele. Das torcidas organizadas de futebol, das aulas de trigonometria da Irene e das provas de química que eu fazia pra Tata. De emprestar o livro de física.

Do ônibus elétrico nas idas e principalmente nas vindas. Dos almoços com amigos (porque eu ODEIO almoçar sozinha), das polêmicas provas da Eloísa, de sentar em ordem numérica na aula de física. De todos os apelidos que os professores colocaram na gente. De coió a playmobil, passando por xuxuzinhos e xuxuzinhas.

Do frio na barriga. De cantar I will survive bem alto. De aula vaga. De esperar alguém entrar pelo portão. De bolo prestígio. Das músiquinhas do B. Do 1º, 2º e 3º MB. Do B, MB, I. Do perfume, como eu gostava do cheiro daquela escola. Das rampas. Da Marli e da Tia Cris. Da escovação de dentes coletiva no banheiro. Do que eu sentia o tempo todo lá. Das pessoas que não gostavam de mim. Das pessoas que eu não conhecia e não conversava.

Da blusinha branca com um CA enorme atrás. De tudo que a gente imaginava e que era, ou não. De chegar na sala e colocar as três ou quatro primeiras carteiras de lado, pra gente ficar mais pertinho. De mochila, calça jeans e all star. De bolacha de uva. De blogs e muitos blogs. Das tribos que na época não eram todos EMO. Da formatura e do vestido azul. De tempo. De tudo.

Eu poderia ficar aqui descrevendo milhões de coisas das quais sinto falta. Mas tá tudo aqui, comigo.

1 de abr. de 2010

Eu, Cindy, admito que...

Acredito sim em Deus.

É um assunto complicado esse de acreditar ou não em Deus, ter fé ou não, e como tudo muda na vida da gente.

Da mesma maneira que eu hoje, admito que sim, acredito, há uns anos atrás, eu admitiria que não, não acreditava. Mas o que me fez mudar? Que bom que algumas pessoas simplesmente acreditam. Eu não acreditava. Comigo o processo não foi natural.

Acho que, no fundo, eu sempre acreditei. Mas me revoltava. Porque não tinha resposta para algumas perguntas chaves para uma pessoa encanada como eu: de onde viemos e pra onde vamos. E a pergunta chave pra Deus: por que esconder tudo isso deixando que a gente viva cegamente.

Tive duas grandes perdas na minha vida. Uma inesperada e outra esperada, doída e quase desejada. O choque da inesperada me fez pensar. Eu e meu avô nem nos despedimos. Às vezes, conversamos em sonhos, mas eu comecei a pensar seriamente em encontrá-lo mais pra frente. Gostei da idéia. Já com a minha vó, depois de ver a situação em que ela estava, eu pedi para Deus para que se fosse melhor para ela, que a levasse, pois ela não merecia sentir o que estava sentindo. Eu me despedi da minha avó. Foi só encostar nela na UTI que ela, que não demonstrava nada e nem reagia a nada há dias e nem mais nenhuma vez depois daquilo, abriu os olhos e me olhou. A gente se entendeu.

Acho que a perda da minha avó, eu não conhecia de verdade o que é saudade. E não é uma viagem, um dia sem o namorado. Dói. Lembro da minha avó várias vezes durante o dia. Em várias situações que nem sei e me pego pensando nela. Quando viva, eu não imaginava que seria assim quando ela não estivesse mais comigo. às vezes eu chego em casa achando que ela está ali. E quando me deito, ainda acho que ela vai chamar ou que sei lá. Enfim, que está ali.

Foram as perdas e a saudade que me fizeram procurar Deus, e perdoá-lo. E confiar nele. Peguei de uma vez por todas, todas as minhas inseguranças em relações às questões existências e questionamentos e revoltas e resolvi simplesmente acreditar. Sem esperar respostas. Por que o conforto de acreditar em algo superior me preenche. Tapa os buraquinhos. Me satisfaz.

Minhas respostas, de uma maneira ou outra, vieram. Acredito no que me é mais conveniente acreditar. Acredito no que me acalma. Agora eu vejo que sei tudo que preciso saber e entendo que para tudo tem o seu tempo. Assim, eu rezo. Nas nossas conversas, eu agradeço por tudo, questiono, peço também e me sinto protegida. Aconteça o que acontecer, sozinha eu não estou.
E chame como quiser, Deus, universo, você mesmo. Eu acredito.