15 de out de 2010

Não, não é o do juízo

Hoje, pela primeira vez na minha vida, arranquei um dente que não é de leite.

E não é o do juízo! Ainda tenho os quatro, ufa.

Uma dentista me fez o favor de detoná-lo durante um tratamento de canal, aí ele quebro muito em baixo e nenhum dentista consultado disse que o "pino"+"coroa" ficaria bom. Pois então, o jeito era arrancá-lo fora.

Sempre cuidei dos meus dentinhos (apesar de meus dentes adorarem uma cárie) e não esperava ficar banguela tão cedo.

Fiz um escândalo. Demorei 3 meses pra tomar a decisão de arrancar e hoje, depois uma semana comendo igual a uma porca gorda e da dor de barriga antes de ir para o consultório, sentei na cadeira do dentista e pedi com carinho: "doutora, você promete que vai passar a pomadinha pra eu não sentir a picada???".

Eu não poderia ter escolhido dentista melhor. Acho que ela tem mãos de fada ou algo assim. Eu não senti praticamente nada. Me senti só uma idiota por ter ficado tão ansiosa sem necessidade nenhuma. Não senti a picada da anestesia e nem pressão nenhuma pra tirar o dente.

Depois que passou a anestesia (e deixou de parecer que eu tinha um bife na boca, ou seja, minha língua) não tive dor nenhuma, não inchou nadinha e só ficou uma coisa que o tempo todo me dá vontade de vomitar: gosto de sangue na boca. Arghhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

Fala sério, isso passa? Porque eu acho que não. Pior que o sangue na boca foi a fome. Eu que vinha comendo que nem uma desesperada, de repente, tive que comer líquidos e coisas pastosas.
Passei o dia inteiro com sorvete e miojo frio (blécate e blécate) e na janta (que já fazia muito tempo após a cirurgia) comi dois pedaços inteirinhos de pizza, não me pregunte como.

Meu, eu estou desessssssssssssperada pra comer! Que horror! Achei que o dente ia ajudar no controle, mas me deixou com mais fome ainda.

Moral da história: não sofra por antecipação, não coma desesperadamente antes de uma fase que você não pode mastigar quase nada e mantenha seus juízos!

4 de out de 2010

Dia 1

Parecia que as escadas rolantes da Barra Funda estavam tão triste quanto eu. O caminho para o Palestra, a viagem para o Wet, as ligações de sinal ruim.

O dia cheirava um cheiro sem cheiro.

Os dedos formigavam de um jeito que só ressaltava a sensação de anestesiamento do corpo todo.

O horóscopo se calou. Parece que respeitou o momento e hoje, só hoje, mencionou o quanto tudo será bom profissionalmente.

O telefone nem ameaçou tocar. Até os spams deram uma trégua.

A pergunta veio várias vezes durante o dia: "Por que você fez isso mesmo?". E a resposta vinha em forma de olhos marejados seguidos de um disfarce sutil.

Muitas lembranças. Muitas coisas que deveriam ter sido lembradas em muitas outras situações para se evitar chegar ao ponto que chegou.

Muitos suspiros. E uma saudaaaade que parecia chegar a queimar a pele.

Um abraço que não veio de ninguém. Não sabemos nada além da nossa própria vida. Nenhum abraço adiantaria e ninguém entenderia.

Um medo do amanhã. Talvez dos próximos minutos.

Talvez a borboleta sinta tudo isso quando a gente ouve a história do casulo.