Não, não é mesmo. Considero, na verdade, uma conversa normal. A pessoa dá a opinião dela, eu digo se concordo, dou a minha opinião, ela diz se concorda e por aí vai. Mais ou menos assim, ela diz que gostou de Batman, eu digo que prefiro Homem Aranha e nós comentamos sobre cinema no geral. Eu não achava que isso era um problema, até ser alertada por uma amiga de como eu vou contra a pessoa com a qual estou conversando, sem perceber.
Passei a prestar mais atenção nesse tipo de coisa. A responder "legal" ou "é mesmo?", quando a minha vontade é na verdade falar "eu não" ou "credo! que horror! eu não gosto" (talvez eu não fosse muito delicada). Tenho que confessar que a mudança fez bem. Achei que depois disso muitas conversas fluiram melhor, ainda que eu não concorde que manifestar minha opinião é uma ação de terror.
Uma coisa que me leva a pensar isso é que não são as preferências que definem amizades. Na verdade, se eu gosto do rosa e você do azul pouco importa. O filme também não importa, o legal é ir ao cinema. O que me faz gostar ou não de alguém, na verdade, são os princípios éticos e morais que podem ir de encontro. Eu não aprovo traição. Se você disser que trair de vez em quando faz bem, a conversa provavelmente acabará ali, mesmo que a gente goste de rosa e tenha ingressos pro show da Madonna.
Sou muito diferente de todas as minhas amigas e nem por isso a gente deixa de se dar bem! Talvez também por a gente se conhecer há um certo tempo, entender o jeito e saber que dar a minha opinião contrária não é fazer confronto, é simplesmente uma opinião, aí eu não preciso só dizer "uhum...".
Uma vez no colegial, assim que começamos a ter literatura, a profa Patrícia de Português pediu pra fazermos um poema. O meu ficou rimadinho e bonitinho, ela até chegou a ler pra classe, o nome (adivinha!!) era "Na minha opinião" e a última parte era assim:
"Sei que a minha opinião
ao mundo não importa é nada
mas o que posso fazer
se não consigo ficar calada?"
Heinnn? O que eu posso fazer???
